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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

"ISADORA"

Daniel Dantas (Henry) e Melissa Vettore (Isadora) (Foto João Caldas)

Morte de Isadora. (Arquivo)
Roberto Alencar (Agustin), Melissa Vettore (Isadora) e Patricia Gasppar (Irma), em "Isadora",
dramaturgia, Vettore, direção Elias Andreato. (Foto João Caldas).  

IDA VICENZIA
(da Associação Internacional de Críticos de Teatro - AICT)
(Especial)

     .... E fomos ver "Isadora"! Uma peça sobre aquela mulher fascinante, independente, livre, revolucionaria. Movida à dança! Por que Melissa Vettore, dramaturga, produtora, atriz e bailarina do espetáculo, resolveu homenageá-la? Difícil tarefa! A dedicação à Isadora parece ser o trabalho da vida de Melissa, que foi muito bem assessorada pelo ótimo diretor que é Elias Andreato. Há, com certeza absoluta, neste espetáculo, uma cena antológica interpretada por Daniel Dantas (ator convidado) e Melissa Vettore: a cena do desnudamento do amor do editor (Henry, interessado em editar o 'Livro de Memórias' de Isadora), pela bailarina! Para mim, Dantas é o ator mais misterioso que existe, sempre uma mistura de Gabin, Auteuil e ennui!. (Desculpem, meus paradigmas são todos do teatro e cinema francês do  século XX ...dos anos 60, ou menos, veja-se Jean Gabin!). Mas, uma coisa continuo afirmando: esse ator, Dantas, sempre me impressiona pela fragilidade e ennui ("tristeza profunda"), que deixa transparecer em sua interpretação! E quem é, afinal, o editor que tanto mexe, racionalmente, com a tranqüilidade de Isadora? A historia é contada em dois tempos... e o editor aparece em um momento cruel do presente, em que a bailarina retoma o seu passado, para escrevê-lo. 

     Mas deixemos Dantas, e o personagem que interpreta, em paz. Seres estranhos na vida de Isadora Duncan não faltaram. A verdade é que a musa sentia amizade por seres maravilhosos, como, além desse editor, João do Rio, por exemplo. Dizem que a bailarina o queria como amiga, mas ficou intrigada (dizem) com o pouco entusiasmo que ele revelou ao ver seu corpo nu. Ao se interessar pela inclinação sexual de João, recebeu essa resposta do escritor carioca: "Eu sou um ser impuro". A resposta poderia ter sido dita por João do Rio, o episódio parece ser verdadeiro, mas nunca se saberá, pois  pertence ao mundo do mistério das artes cênicas, e isso é fascinante!

     "Isadora", a peça, pegou-nos de surpresa. Não há atores em cena, com exceção de Dantas e a irmã de Isadora, Irma, interpretada pela bailarina, cantora e atriz Patricia Gasppar. O irmão, Agustin, é a belíssima figura de bailarino de Roberto Alencar (cuja presença em cena valoriza o espetáculo). Roberto, além de interpretar Agustin, também participa como ator em outras cenas,  porém com menos convicção, fazendo pequenas intervenções.

     O espetáculo veio de São Paulo, e ficará poucos dias no SESC Ginástico, mas nos serviu como verdadeira "aula de direção" de Andreato, que conseguiu momentos inesquecíveis da frágil Melissa, interpretando a indescritível Isadora. Os melhores momentos de Vettore são quando ela dança, livre e solta, ao estilo Isadora, ou quando, em alguns momentos da discussão com o editor (Dantas), consegue uma carga dramática mais forte. Admira-se sua iniciativa, nesta bela homenagem a Isadora!

     Diz Isadora: " Eis o que estamos tentando fazer: reunir um poema, uma melodia e uma dança, de modo que não se escute a música, veja a dançarina ou ouça o poeta; mas se viva na cena e no pensamento o que eles estão expressando".

     Há vários aspectos positivos que poderiam nos levar a recomendar este espetáculo. Certamente, as projeções e o clima que passam, lembrando a escola de dança de Isadora, na União Soviética. Ou o momento dramático em  que a bailarina narra o suicídio de Serguei Esenin, seu poeta-amante! (na vida real, há o consolo de que eles já estavam separados). Outro aspecto positivo do espetáculo é a já comentada cena final, entre o editor e Isadora. E o texto. Sim, o texto! Ele é  repleto de citações e de poesia, como o Maiakovski, dito por Dantas, ou frases muito bem construídas, que levam ao momento vivido daqueles artistas! Sim, o texto, com trechos de Walt Whitman, Sergei Esenin, Maiakovski! Trata-se de um lindo e inteligente trabalho conjunto, feito por Andreato e Dantas, em cima da dramaturgia de Melissa Vettore.


     O Epílogo dessa bela homenagem é a morte de Isadora, em Nice, ainda em seus 50 anos fecundos. A morte, enrolada em sua vaporosa écharpe, é um final digno de sua vida envolta em véus. Uma bela e poética morte, a de Isadora, essa mulher que observou um dia (Isadora deixou vários escritos): "Sou uma crítica incansável da sociedade moderna, da cultura e da educação. Defensora dos direitos das mulheres, da revolução social e da concretização do espírito poético na vida cotidiana. Meu interesse é expressar uma nova forma de vida." (Ah, como eu gostaria de ter conhecido Isadora!) E, finalmente, a ficha técnica: Há música ao vivo, como não poderia deixar de ter, e a escolha da trilha sonora é do artista e musicista Jonatan Harold. Magnífico. A assistência de direção é de André Acioli; as palavras lindas e emocionadas de Renata Melo, diretora de movimento e preparadora corporal do espetáculo, dão vontade de conhecê-la, e participar de seu vôo! Preparação vocal de Edi Montecchi. Produção de vídeo: Marco Vettore. Divulgação no Rio, JSPontes. 
BELA INICIATIVA!   UM ESPETÁCULO DE TEATRO-DANÇA.   

sábado, 24 de setembro de 2016

"CHICA DA SILVA - O MUSICAL"

Vilma Melo interpretando "Chica da Silva - O Musical", produção Alexandre Lino, direção Gilberto Gawronski, texto, Renata Mizrahi (Foto de Janderson Pires)
Cena de "Chica da Silva - O Musical" (Foto de Janderson Pires).

                    IDA VICENZIA
(da Associação Internacional de Críticos de                         Teatro - AICT)
                       (Especial)

    "CHICA DA SILVA - O MUSICAL"
     Em cena, no Centro Cultural dos Correios, um musical diferente. Delicadeza, sutileza... e revolta!  Estes são os seus atributos. Dança aleatória? - nem pensar. Os gestos dos atores possuem significados intrínsecos, e potencializam conhecimentos ancestrais. Nada ali  é gratuito. Estamos falando de "Chica da Silva - O Musical", texto de Renata Mizrahi, direção, Gilberto Gawronski, produção de Alexandre Lino e Daniel Porto. A ideia é homenagear Zezé Motta, a nossa primeira Xica!

     A cena aberta é potencializada por música ao vivo (os músicos Di Lutgardes, Reginaldo Vargas, Victor Durante e Tássio Ramos são excelentes e participam, com sua atuação, no conjunto do espetáculo). Os atores entram, no batuque inicial, e se benzem diante de um altar, nele colocando as suas guias. A ação é acompanhada por um "canto velado" dos atores, como ondas batendo na praia, ao som dos atabaques: "Chica-da... Chica-da...".

     E começamos a  perceber o que se desenvolve na cena - a ação em três  tempos: o passado (a história do Tijuco, de Chica e João Fernandes); o plano do "vir a ser" - é quando a imaginação das duas escravas, Francisca Crioula e Chica da Silva, trabalha - e também tem o plano do presente. Os três planos, na dramaturgia de Renata Mizrahi, mostram o caminho da negritude até o momento de sua conscientização. Muito poética, a intervenção de Francisca Crioula (interpretada por Ana Paula Black), no tempo do sonho.  

     Sim, o texto de "Chica da Silva" levanta, poeticamente, o problema do "ser  negro" e, através da vida de uma mulher, nos faz caminhar pela historia da negritude. Estamos na presença de uma historia trágica, contada de maneira original: Renata Mizrahi criou, para essa Chica, um texto racional, que anda de mãos dadas com o lirismo. Caminho nada fácil, sustentando-se a partir de cada momento vivido.

     ... E vamos nos aprofundando, cada vez mais, no problema, até perceber a possível "tomada de consciência" de todas as Chicas, ao nos confrontarmos com Vilma Melo em sua forte interpretação da Chica moderna! Um belo e importante trabalho. A direção de Gilberto Gawronski levanta, com mão firme, o impasse, e faz dessa Chica, - interpretada pela excelente Vilma Melo - em seu primeiro protagonismo - a mulher negra que não abdica da compreensão de sua particularidade (enquanto etnia).

     O jogo que o diretor estabelece, entre a Chica do Tijuco - suspensa e dependente de João Fernandes, no tempo do passado (muito boa, também, a interpretação de Ana Paula Black, como Francisca Crioula, a cativa sofredora); no tempo do sonho, a Chica "sonhadora e irrefletida" que convive com seus iguais; e, no plano do presente, a negra moderna, interpretada com arrebatamento por Vilma Melo.

     Interessante observar, nesta montagem de Chica, o forte impasse entre etnias, neste Brasil mulato. Somos, pelo lado dos portugueses, descendentes de "mouros", os africanos dos quais nos vem a raiz portuguesa e espanhola.

     Pois, neste trabalho, talvez inconscientemente, os representantes dos "brancos" não são brancos, e o caminho que leva ao desempenho de Luciana Victor, como a mãe branca empertigada - a burguesa que se considera a dona do mundo, até a sua tomada de consciência, ao aceitar a noiva (negra) de filho - é o tortuoso caminho dos brancos brasileiros. Até em seu figurino (de Karlla de Luca), a mãe do noivo é "espanhola", com seu traje vermelho e seu cabelo à sevilhana, fazendo uma leitura sociológica dessa raiz.

      Veremos que nem mãe, nem filho, na cena considerados brancos, realmente o são. Certo, pode ser uma "licença poética", mas a cena, delicada, não se oculta, e é vencida pela luta inglória das etnias ... no Brasil! Os atores são belos exemplares de brasileiros, mas, como nós não somos um país de brancos, Tom Pires (o filho), acaba nos trazendo uma simpática composição do "noivo branco", sem o ser... O mesmo acontece com João Fernandes, um bom português mestiço, interpretado por Antonio Carlos Feio, que também é mestiço (e isso não depõe contra ele, pelo contrario). Tal situação nos deixa com a frágil impressão de que há, subliminarmente, um recado da negação do preconceito... Complicado.

     Escrever sobre "Chica da Silva" é complicado.  Zezé Motta e André Paes Leme deram a largada para o texto (o trabalho inicial dos atores foi de Zezé), e dar continuidade a esse trabalho ficou por conta de Mizrhai e Gawronski. "Chica da Silva - O Musical" nos apresenta uma intérprete magnífica e as músicas foram compostas para o momento, por Alexandre Elias. Elas são marcantes. E há, também, as músicas tradicionais, fazendo homenagem a Zezé, como a "Xica" do Jorge Bem, e algumas de Luiz Melodia! Mas o que é destaque, mesmo, é a interpretação de Vilma Melo - e o seu cantar.

     O cenário lembra, na forma, as criações de Beatriz Milhazes. Uma  geometria de círculos suspensos no espaço, fabricados com a palha que leva à arte primitiva, incorporando altares. Aliás, a iluminação de Renato Machado, em conjunto com a criação de Karlla de Luca, dá ao palco um clima de fé, oferendas e de súplicas... E o elenco, ao fundo, acompanha a cena das oferendas, dando, com sua dança, o ritmo das cerimônias. (Um pouco tímido, ainda, este ritmo, mas talvez também seja uma disposição da direção de movimentos).

      Outros aspectos do espetáculo, que não podem ser esquecidos, são a preparação vocal de Ananda Torres e a direção de movimento de Carlos Muttalla. Complementando a ação, há frases que acentuam o aspecto emblemático que a envolve: "Todas as cores são minha pele", em uma alusão ao preto, que também é a mistura de todas as cores... ou, "Sempre é uma palavra transgressora", frase essa que une a esperança à descrença. Essa frase é enfaticamente repetida por João Fernandes (Antonio Carlos Feio), em sua correta interpretação. É INTERESSANTE - "INSTIGANTE", EU DIRIA... SE NÃO FOSSE UMA PALAVRA DA MODA! - ASSISTIR A "CHICA DA SILVA - O MUSICAL". 
NÃO PERCAM !!!!!         









sexta-feira, 2 de setembro de 2016

"LAURA"


A chegada do "viajante-pesquisador", em  "Laura", atuação, pesquisa e produção,
Fabrício Moser. (Foto Ricardo Martins). 

O ator Fabrício Moser contando o início de seu périplo, quando pede permissão
para a mãe (no foco), para contar a historia da vó Laura.
 (Foto Ricardo Martins)


IDA VICENZIA
(da Associação Internacional de Críticos de Teatro - AICT)
(Especial)
    
     Querido arista Fabrício Moser, que inventou o espetáculo-performance "Laura". Fabrício é um artista pesquisador que ouve seu coração. Mas, se a certeza do acerto só se afirma com o olhar do "Outro", o artista pode dirigir o seu olhar a todos os públicos, e, em especial, aos pesquisadores de profissão. Respiramos a seiva rara de um pesquisador em campo. Sim, o trabalho de Fabrício é um bom exemplo, ao vivo, de como se organiza uma pesquisa.

     Fabrício partiu de uma curiosidade que perseguia sua infância: "Quem foi vó Laura?" O que aconteceu, realmente, com ela? Vó Laura sempre esteve presente em sua imaginação, seu nome era evitado na família, e o desfecho de sua morte, um mistério. Tal fato aguça a curiosidade do menino e, uma vez adulto, coloca-se a campo, disposto a realizar a pesquisa sobre Laura.

     As duas perguntas: "quem foi?"  e "o que aconteceu?" neste episódio, nortearam o caminho do pesquisador. Há vários fatores de encantamento, para o público, e, o  mais interessante, talvez, seja o desvendar, junto ao autor, como se desenvolveu a sua procura. Mas o espetáculo não se resume a um assunto só, quem o assistir saberá.

     Estamos em uma pequena cidade do Rio Grande do Sul, Cruz Alta, povoado de acentuada influência alemã e italiana. Foi nesta cidade que nasceu Érico Veríssimo... porém, isso não interfere na morte romanesca de vó Laura, pois Fabrício não explora o lado literário do acontecimento.

     Quando tomamos conhecimento do local onde se deu a tragédia,  percebemos que tal ligação não será feita - apesar do avô "gauderio" de Fabrício, casado com Laura, ser um personagem recorrente no cenário gaúcho. Foi graças a seu "espírito gauderio", de percorrer os pampas, "sem Deus nem Lei", que despertou a paixão de vó Laura. Não, Fabrício não explora esse aspecto. Muito interessante, esse avô gaudério... porém o mesmo não se pode dizer das músicas que são lembradas, em acordeon e canto, músicas de uma rusticidade sem arte... típica dos bailes dos centros de tradição gaúcha! Enfim... o único perigo que o autor/ator/pesquisador corre é atrair um público que admira tradições gaúchas, e não propriamente teatro.  

     E por ser vida real, ficamos cada vez mais intrigados com a maneira pela qual Fabrício "estende" a sua historia, no sentido de sempre encontrar uma nova saída para os acontecimentos. Continua pesquisando com o público? Há sempre um novo acontecimento a ser somado, uma nova pesquisa? Não há regras para a imaginação.  

     O ritmo do espetáculo nunca é o mesmo, às vezes surgem "interferências" não desejadas, pois "Laura" depende de "intrincada" produção eletrônica - um de seus pontos positivos - mas que também podem se tornar uma armadilha. Constatamos que o autor/produtor Fabrício transforma-se, então, em um "one man show eletrônico". Eis um tour de force elogiável.   

     "Laura" vem de um circuito alentador, ela já esteve presente no teatro Parque das Ruínas, em Santa Teresa, e também a encontramos no belo espaço do Castelinho do Flamengo. Esse espaço cênico tem virtudes  insuspeitadas: Do alto das torres daquela estranha construção "art-nouveau", Fabrício pensou em uma cena insólita, na qual convivem tempos e falas os mais diversos - e onde, inclusive, se dança uma rancheira com o público... Trata-se de um "baile essencial" para o desenrolar da trama. Mas o público não sabe disso... (ou não devia saber, agora já sabe, com a critica!)

     São várias, as cenas: ora estamos em Cruz Alta, na rua em que se deu o acontecimento insólito; ora assistimos a projeção de um vídeo, uma entrevista, um personagem novo. Fabrício nos leva ao interior das casas, onde pessoas são entrevistadas para a pesquisa, e há sempre uma nova construção cênica a nos surpreender. 

     A performance, contando a historia trágica de vó Laura, terá vida longa, devido ao cuidadoso trabalho de elaboração da mesma. Com "pesquisa detalhada e olhar carinhoso", as múltiplas presenças de vó Laura, construídas por seu neto, dão um aspecto inquietante e revelador ao que estamos assistindo. E é, também, às vezes, divertido! Sim, "Laura" pode ser "tempo e espaço", flutuando na lembrança de quem a ama! E quem melhor do que seu neto? 

     Produção, roteiro, direção, autoria e interpretação: Fabrício Moser, ex-aluno da Uni Rio, que veio de longe - do Mato Grosso do Sul - para encantar o Rio de Janeiro com as suas historias  de  raízes gaúchas. O Rio comporta este cenário nacional. Segundo fomos informados, o próximo pouso da vó Laura será o Teatro Sérgio Porto.  NÃO PERCAM!               
    
  

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

"O CORPO DA MULHER COMO CAMPO DE BATALHA"

Ester Jablonski e Fernanda Nobre na cena final de "O Corpo da Mulher  Como Campo de Batalha",
peça de Matéi Visniec, com direção Fernando Philbert.
(Foto Nil Caniné) 


                    IDA VICENZIA
(da Associação Internacional de Críticos de Teatro - AICT)
(Especial)

"O CORPO DA MULHER COMO CAMPO DE BATALHA"

     Em cartaz no Teatro Poeira, temos novamente Matei Visniec.  Vimos, no Poeirinha, "2 X Matéi", em que Godot, o personagem extraído de Beckett, reclama, contestando a escolha do autor ao não colocá-lo em cena: "em Shakespeare até os fantasmas aparecem!"  O argumento, e a encenação, eram tão loucas e tão divertidas (com Guida Vianna e Gilberto Gawronski), que nos conduzia ao teatro do absurdo. Dessa vez, não! Em "O Corpo da Mulher como Campo de Batalha", o romeno Matéi Visniec  surge com um argumento devastador, que nos leva além do palco, jogando-nos na realidade da vida.  A tradução de Alexandre David nos ajuda a entender a "dança das palavras", de Visniec.

     E, na verdade, essa "dança" é arrepiante, colocando a nu a bestialidade da guerra. Os combatentes, desde tempos imemoriais, estupram as mulheres dos guerreiros vencidos... para humilhá-los! As mulheres são o complemento do 'campo de batalha'.       

     E essa barbárie continua, mais viva do que nunca. Em seu texto, Visniec coloca duas mulheres, duas vítimas de seu sexo, lutando para conseguir entre si um mútuo entendimento. Elas  são vitimas do mesmo horror, mas, a um primeiro olhar, pensamos ser a jovem bósnia Dorra (interpretada com intensidade por Fernanda Nobre), a única vítima dessa crueldade, pois sofreu as conseqüências da guerra.

     Ledo engano, o olhar de Visniec busca uma maneira de colocar as duas mulheres em um patamar de ultraje e violência, que as torna igualmente fragilizadas, e estabelece uma  situação de desconforto entre elas.  A  jovem bósnia não aceita a norte-americana e sua civilização. Esta, por sua vez, "só  quer ajudar", e tenta entender a psique da mulher que foi agredida em seu mais íntimo, e que engravidou, em consequência do estupro! (Visniec não esquece nenhum detalhe do que ele chama de seu "teatro engajado").

     Ester Jablonski entrega-se ao personagem Kate. A psicoterapeuta Kate (que talvez seja o personagem da vida dessa atriz, terapeuta que é), sente-se cansada da luta sem tréguas, cansada de  enterrar os mortos e querer enfrentar os males do mundo. Jablonski nos dá um desempenho forte e enternecedor, transmitindo ao seu personagem grande empatia. 
     Mas Kate não é culpada de algo que não ajudou a criar. Sente-se culpada, e se engaja como "voluntária", para ajudar. É aí que se coloca o grande dramaturgo, que trafega em questões-limite entre o bem e o mal. E o diretor, Fernando Philbert, consegue equilibrar o furacão que a peça desencadeia. Seu olhar sensível permite às atrizes se entregarem ao tema cruel, sem caírem no excesso de emoção. Também a direção de movimento de Marina Salomon se faz sentir, nas diversas manifestações de controle da emoção física das atrizes. O  fator "equilíbrio" sustenta a ação, e o resultado é um espetáculo enxuto, contundente e, ao mesmo tempo, poético!

     O romeno Visniec, com a mesma desenvoltura com que se diverte com os autores ocidentais,  Beckett, Garcia Marques, ou Oscar Wilde, mergulha em seu teatro engajado que quer desvendar a Utopia, e seus enganos. Ainda há muito a ser desvendado, desse autor...
     Na ficha técnica temos a cenografia de Natalia Lana, que transmite ao palco do Poeira uma impressão de infinito. Há um jogo de espelhos dividindo os tempos. Os figurinos, simples, também trazem a sua assinatura. A iluminação é de Vilmar Olós. O artista consegue dar uma sensação de solidão, com a sua luz às vezes fria!  A música (original) é de Tato Taborda. Fotos de Nil Caniné; Assessoria de Imprensa: Lu Nabuco. É BOM VER BOM TEATRO!                  

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

"VAIDADES E TOLICES"

"Vaidades e Tolices" - uma compilação dos contos de Tchecov "O Urso" e "Pedido de Casamento".
Direção Sidnei Cruz. (Foto Guga Melgar)


IDA VICENZIA
(da Associação Internacional de Críticos de teatro - AICT)
(Especial)

"VAIDADES  E  TOLICES"

     Comemorando os seus 25 anos de encenações, a 'Cia. Limite 151' festejou, no primeiro semestre de 2016, levando a cena Anton Tchecov e suas peças curtas: "O Urso" e "Pedido de Casamento". O apelo ingênuo e bem humorado destas duas peças alegra os corações. Com inspirada direção de Sidnei Cruz, os atores Edmundo Lippi, Flavia Fafiães, Isabella Dionísio, Marcello Escorel e Rafael Canedo levaram ao público os deliciosos momentos de delicadeza, malícia e inteligência do texto do dramaturgo russo.

     Muito boa a encenação de Sidnei Cruz, ao fazer o entrecruzar das historias de dois casais, em seus instantes de "enamoramento". É bom poder rir com os encontros e desencontros dos casais formados por Natalia Stepanovna (Dionísio) e Ivan Lomov (Canedo), em "Pedido de Casamento" - mais ingênua e recorrente -, e assistir a grande brincadeira que é "O Urso", sucesso certo para quem a interpreta - sendo maior ainda com  Marcello Escorel jogando com o mulherengo, brutal e apaixonado Grigóri Smirnov, seguido, na sequência, por uma não menos inspirada viúva, Eliena Popova, interpretada com detalhe, malicia e precisão por Fafiães.    
  
     A "Limite" especializou-se em nos brindar com um teatro de repertorio dos clássicos, e é graças a ela que podemos assistir a um simpático Molière, ou as aventuras e desventuras dos personagens de Ariano Suassuna. Seja bem-vinda, 'Limite 151'!

     Seu produtor e ator, Edmundo Lippi, um incansável amante do teatro, atua fazendo a 'costura' dos dois espetáculos, ora interpretando o pai da jovem Natalia, ora o mordomo de Eliena Popova, sempre de maneira eficaz e correta.

     No complicado mecanismo de precisão, criado por Sidnei Cruz, os atores  contracenam com os objetos de cena, "desconstruindo-os", e se entrecruzam, em cenas rápidas, fazendo o contraponto com as historias que estão sendo contadas. É tudo muito rápido, e, segundo o diretor, procura acompanhar a "folia verbal" do autor. E acompanha. Mas não deixa de ser surpreendente, para quem está acostumado com um Tchecov introspectivo, e seus personagens da "burguesia decadente" russa.

     Neste sentido, Cruz extrapola. Essa nova versão de Tchecov, o "novo autor russo", nos trás um efervescente espetáculo, quando, por exemplo, o "Urso" Grigóri, ao perceber estar apaixonado pela viúva (Fafiães), nos oferece uma comicidade irresistível, interpretada com brilho por Marcello Escorel.

     As historias dos casais, na concepção de Cruz,  se entrecruzam, em um ritmo veloz. Esse ritmo, e as palavras do pai de Natalia (Edmundo Lippi), cheias de subterfúgios, remetem ao 'falar' tchecoviano dado às suas peças curtas, ao deixar em aberto o "isso e aquilo"... "e coisa e tal...", sem especificar o sentido.

     É muito bom ver um espetáculo em que ainda se conta uma historia (dinamizada pelos mais variados acontecimentos), e da qual se pode rir, com delicadeza, da sutileza do grande autor russo. Tchecov parece estar presente (e está!), piscando o olho para a platéia, diante das artimanhas de seus personagens. É um prazer participar desse Tchecov, envolvido com o olhar criativo de Sidnei Cruz.        


     Na ficha técnica temos, além dos já citados, cenário e figurinos (muito bons, ágeis, cheios de artimanhas, como o figurino da viúva...) - de Colmar Diniz. Música e Direção Musical: Wagner Campos. Iluminação de Rogerio Wiltgen; Produção Executiva: Valéria Meirelles; Direção de Produção Edmundo Lippi; Adereços, Elísio José e Fotos de Guga Melgar. ESPERAMOS MAIS 'LIMITE 151', NO PRÓXIMO SEMESTRE, COMEMORANDO O ANO DE SEU ANIVERSARIO!     

terça-feira, 16 de agosto de 2016

"BOA NOITE, PROFESSOR"

Nina Reis e Ricardo Kosovski em "Boa Noite, Professor",
texto e direção de Julia Stockler e Lionel Fischer.
(Foto Guga Melgar) 

IDA VICENZIA
(da Associação Internacional de Críticos de Teatro - AICT)
(Especial)

"BOA NOITE, PROFESSOR"

     O espetáculo comemora os 65 anos do Teatro Tablado, e trás o retorno das peças adultas ao espaço. Texto e direção de Julia Stockler e Leonel Fischer.

     Podemos classificar "Boa Noite, Professor" como um representante fiel do teatro psicológico. Os dois personagens, interpretados por Nina Reis e Ricardo Kosovski, aluna e professor, buscam a verdade, devassando o que há de mais oculto em cada um de nós (em cada um deles). 

     Optamos por uma analise baseada no  padrão de comportamento dos personagens, e seu desenvolvimento emocional. Jogamos com o fascínio do Mal,  trazido pela psicopatia... e com o suspense... 'tempo' característico de "Boa Noite, Professor".  

     ... E quais são as características do Mal? A pergunta se coloca, buscando a compreensão do comportamento, ao mesmo tempo frágil e agressivo, do Professor. A psicopatia não vê o "Outro"; não possui empatia pela dor alheia; não ama; não reconhece a culpa. No caso do Professor, o processo se coloca em nuances, talvez sendo a mais forte o "não reconhecer a culpa".

     Como autora que sou, sei como funciona o "gatilho" para a criação. E percebo o "gatilho". Nesta peça, ele pode surgir, de maneira inesperada. Há frases, entre os personagens, que o sustentam. Há frases repetidas, algumas muito conhecidas no meio jornalístico, como: "Isso acontece... isso acontece, é normal..." - tal como a monótona repetição do Professor, no final da peça,  quando ele relembra, patético, como matou a mulher: "Ela pedia: aperta mais!... aperta mais..." Perfeito. Cena perfeita: somos culpados pela nossa queda. O Mal, sem a consciência de se estar praticando o mal. Há um jogo entre  vitima e algoz.  

     Mas divago... se essa crítica não se engana - e ela crê que não se engana - o embrião da visita da aluna, em "Boa Noite, Professor", o "gatilho" da peça, surgiu da visita desesperada de Ida Vicenzia, anos atrás, ao Tablado, querendo fazer "justiça". Repito: para quem escreve, tal acontecimento inesperado pode ser o "gatilho" para a criação. Essa cena aconteceu, em proporções menores, mas ficaram as marcas. Finalmente, depois de "Boa Noite, Professor", ficamos reconciliados com o passado, e podemos ver a 'humanidade' com novos olhos.  

     Na peça "Boa Noite, Professor", tudo acontece em uma noite qualquer. Eis que surge, na sala de trabalho do professor universitário, uma aluna. Ela quer "tirar algumas dúvidas". O professor gosta de fotografia, a aluna também... e os elementos do quebra-cabeça vão se juntado. O professor, em vias de se aposentar, não quer mais se lembrar do passado. A aluna traz o "suspense erótico" para o passado do diretor. Porém, ele se nega a ir ao encontro da armadilha... e a trama, bem urdida, se desenvolve! 

     A aluna mostra as fotos de sua mãe, em uma praia. Fotos tiradas pelo professor? O professor fica agitado e ordena que a aluna se retire de sua sala. A reação da aluna surge, em uma tentativa de sedução... (admirável o desempenho de Nina Reis, a sua maturidade artística). O professor não cede à sedução, mas há algo que o atormenta, e ele só repete, ad nauseam:  "Ela pedia: aperta mais!... aperta mais..."

     No teatro psicológico que se estabelece, a aluna leva o professor aos meandros ocultos de sua consciência. O que aconteceu naquela praia? O patético da cena final se afirma na confissão... e no silêncio que se segue. O professor repete, incansavelmente: "Ela pedia: aperta mais!... aperta mais..." a  repetição, exaustiva, da frase, seguida do silêncio. Ricardo Kosovski trás, para esta cena, a sua verdade de ator.

     Uma "arena no palco" (formação dada ao 'espaço cênico' do Tablado), dá oportunidade ao público de se aproximar do drama, e ser envolvido por ele. Há fortes interpretações, e a realidade transborda. A direção busca a entrega total dos atores, e é muito bem sucedida nesta busca. A ação, em suspense crescente, proporciona aos atores um "despojamento do oculto", e temos aí um verdadeiro encontro com o teatro!

     Na ficha técnica, a alegria de quem assiste teatro. "De Simoni", na luz.... "Tato Taborda" na trilha sonora. No cenário: "José Dias". Direção de Produção: "Fernando do Val".  ... Ana Carolina Lopes nos figurinos, Guga Melgar nas fotos... e o pessoal da casa, os montadores de luz: Anderson Peixoto, André Ensá e Gabriel Prieto; Luisa Marques na bilheteria. Há, no Tablado, um acolhimento "em família", algo que os teatros devem conservar... Há um ambiente teatral, e o público sente-se bem, naquele ambiente. ACONSELHA-SE VISITAR O TABLADO NESTE ANIVERSARIO DE 65 ANOS E ASSISTIR a competente direção de Leonel Fischer e Julia Stockler, neste "Boa Noite, Professor".          
               

domingo, 31 de julho de 2016

"A REUNIFICAÇÃO DAS DUAS COREIAS"

Elenco de "A Reunificação das duas Coreias", de Joël Pommerat,
direção de João Fonseca.
(Foto: Victor Hugo Cecatto)

Cena de CASAMENTO, episodio de "A Reunificação... ".
Na foto: Bianca Byington, Gustavo Machado e Solange Badim.
(Foto: Victor Hugo Cecatto)


IDA VICENZIA
(da Associação Internacional de Críticos de Teatro - AICT)
(Especial)


"A  REUNIFICAÇÃO DAS DUAS COREIAS"  

 - UM ESPETÁCULO EXTRAVAGANTE


     Não podemos nos surpreender com o mundo atual, pois a loucura humana sempre pautou as nossas vidas, mas a peça de Joël Pommerat, "A Reunificação das Duas Coreias" - atualmente em cartaz no Oi, Futuro de Botafogo - é uma amostra significativa da alma: seja ela francesa, brasileira, hebraica ou muçulmana, só para citar as que estão no limite da loucura, atualmente, pois os Estados Unidos já ultrapassaram esse limite há muito tempo.

     Pois bem, "A Reunificação..." nos dá um esboço dessa situação - refletida nos problemas familiares - e mostra vários tipos de comportamento (neurótico), que caracterizam  o nosso tempo. Pensamos, em alguns momentos, estar na presença de um espetáculo cujo foco é o "amor", ou a "amizade" - e há momentos em que nos detemos na "insensatez" dos humanos. No início da ação, com a morte do marido (por enforcamento), ou a do amigo, na sequencia da "Amizade", (por estrangulamento),  nos perguntamos se não estamos na presença do teatro de "grand guignol", tão amado pelos franceses. Mas sem o sangue jorrando! 


     Na verdade, "A Reunificação das Duas Coreias" é um espetáculo no qual as sequências (rapidíssimas), nos levam ao extravagante! O teatro de Pommerat seleciona momentos de encontro/desencontro entre as pessoas e - com a imagem amplificadora do teatro - entramos no terreno do risível e do angustiante. Trata-se do reflexo, em lente de aumento, do que vivemos em nosso dia a dia. Aos poucos vamos percebendo que a real mensagem do autor é a "desconstrução" de nossos costumes. Se elegemos o "amor"  - e suas mais variadas formas -,  para fazer a leitura do que nos é  apresentado, percebemos que o texto se transforma em um verdadeiro "elogio à loucura"!

      O  "Método João Fonseca de Direção" não fica nada a dever ao  texto. Ao cercar-se de excelentes atores, e os deixar livres para escolher os seus caminhos, temos a oportunidade de assistir Louise Cardoso exercitando a prostituta mais enlouquecida dos últimos tempos, no teatro carioca. Trata-se do momento VALOR - episodio no qual a atriz divide o palco com o não menos talentoso Reiner Tenente. A atuação de Louise é marcante, e irá desaguar na estarrecedora "página em branco" do mal de Alzheimer, lembrando carinhosamente o filme argentino "O Filho da Noiva", de Juan José Campanella. Neste episódio, MEMORIA, o ator Marcelo Valle nos dá uma excelente interpretação. Talvez, pela sua densidade, MEMORIA se apresente como o mais ilustrativo do texto de Pommerat.

     As situações humanas vividas pelo elenco - apesar de algumas cenas se aproximarem da repetição minimalista - são impactantes, e, em sua maioria, hilariantes. Citaremos algumas: no episodio AMIZADE,  por exemplo, Gustavo Machado e Marcelo Valle têm um confronto preciso. Em outras sequências há o teatro do absurdo, como em CASAMENTO, na qual se confrontam: uma família composta por três irmãs, um  marido e um noivo ... no qual as irmãs têm um amor "enlouquecido" pelo mesmo homem. Ou talvez MORTE, quando Solange Badim tem ocasião de nos fazer apreciar o seu tempo preciso para a comedia.

     Em outro episodio, o do AMOR, pensamos assistir a uma ação amorosa entre casais,  mas verificamos, com surpresa, que se trata do sentimento da "dívida moral", encenada pelos pais de um aluno, amado por seu professor. Dessa vez, trata-se do amor genuíno de um mestre por seu discípulo. O professor é interpretado por Marcelo Valle, novamente em ótima atuação. Gustavo Machado e Verônica Debom são os pais do menino, enquanto Louise Cardoso é o personagem "apaziguador". (Caso estranho, temos a impressão de que os atores não estão presentes, ou melhor, que eles são, nesse episodio, possibilidades de atuação, algo que permanece em aberto, daí a a sensação de insensatez que toma conta da cena). Enfim.

     Bianca Byinton, desde sua primeira entrada em cena, como uma faxineira que encontra o cadáver (cena do enforcamento), até o final do espetáculo, mostra, mais uma vez, que é uma atriz que se entrega, com talento e precisão, além de uma diretora premiada. Trata-se de um espetáculo com excelentes atrizes em cena. No episodio GRAVIDEZ Bianca interpreta uma médica histérica. Em cena, Verônica Debom, a paciente grávida. Outro momento que nos apresenta a "insensatez" do autor. Tal cena também se apresenta como "a marca registrada" de Pommerat, se quisermos entender o seu texto. Com este espetáculo João Fonseca nos mostra coerência, em suas escolhas, com um olhar atento às excentricidades da "pequena vida", como na canção "I live my little life", que ilustra, de maneira crítica, o que se quer retratar.
     Enfim... o texto de Pommerat visita vários tipos de "loucura", entre as quais o "amor". Em sua "forma" podemos considerar que Fonseca optou por uma linguagem "pós-dramática" (no sentido da liberdade da encenação), com opções variadas entre o melodrama e a "comedia largada", demonstrando com isso, mais uma vez, a liberdade de sua linguagem cênica. O pós-dramático é também libertário.

     Na ficha técnica temos a segurança de Nello Marrese, no cenário. Os figurinos, de muito bom gosto (uma citação à elegância blasé francesa?), de Antônio Guedes.  A iluminação, de Renato Machado, não possui, dessa vez, o desenho excepcional que costuma ter a sua marca, porém manda o seu recado. Desfrutamos da ótima direção musical de Leandro Castilho, com uma seleção de músicas deliciosas. Pedro Peduzzi, por sua vez, transmite os sons e ruídos especiais, com maestria. A excelente direção de movimento é de Alex Neoral, e o "Visagismo" é de Diego Nardes. Assessoria de Imprensa: Lu Nabuco. Direção de Produção: Maria Siman e Ana Lelis (um agradecimento muito especial a Ana Lelis). Tradução de Beatriz Ittach. Assistentes de Direção: Reiner Tenente e Pedro Pedruzzi. Design e Fotografia: Victor Hugo Cecatto. UM ESPETÁCULO ESTRANHO.